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O Evangelho

  • André G. Figur
  • 3 de jun. de 2018
  • 46 min de leitura

O Evangelho

O evangelho (ευαγγέλιον), é uma palavra grega formada de duas outras palavras, a primeira é “bom/boa” e a segunda é “mensagem/notícia”. Literalmente, "evangelho" significa "boa mensagem", e é exatamente disso que eu quero tratar aqui.

O evangelho, é uma notícia tão boa, quanto a de um povo que foi feito escravo a muito tempo, e recebe uma mensagem informando que a partir de agora, todos estão livres.

Mais do que apenas liberdade, essa mensagem nos traz um código de conduta, valores, e justiça, para o agora, e não somente para o futuro.

A boa mensagem não veio apenas nos trazer uma promessa para o futuro, ela veio nos convidar a fazer esta vida, no presente, “valer a pena”.

Não é apenas uma mensagem, de liberdade, de amor, de valores morais e éticos, não é mais uma mensagem de esperança, ou de consolo.

Ela é a boa mensagem que expõe diante dos cegos, iludidos, e mortos, “o” caminho, “a” verdade, e “a” vida.

Ela é a boa mensagem que “revela a Justiça” aos injustos e injustiçados. Ela é a boa mensagem que dá gratuitamente imortalidade a todo mortal que ousar crer e viver nesta boa mensagem.

Ela é a boa mensagem que lhe notifica, quem você é, de onde você veio, onde você está, para onde você vai, e o que tem de fazer, “se” você crer nesta mensagem.

O Princípio.

“No princípio Deus criou, os céus e a terra.”

(#Gênesis 1:1).

Toda mensagem, tem um inicio.

Enquanto algumas começam com “era uma vez” e em seguida é apresentado, primeiro um lugar, um personagem, um tempo, um contexto para que daí alguma coisa possa acontecer, esta mensagem começa com “No Princípio” e daí logo em diante parte diretamente para uma ação que define o primeiro e mais importante personagem do resto desta mensagem: - “Criou”.

Algumas teses científicas propõe que o universo foi forjado a partir do “nada”. Que um grande aglomerado de “nada” explodiu “espontaneamente” para formar toda a matéria.

Mas o Evangelho propõe que tudo o que existe foi formado a partir desta pessoa que foi apresentado em primeiro lugar como “o criador”, o que indica que a criação só pode derivar de um ser de inteira bondade, pois o ato da criação, demandou de um ato puro de amor, pois tudo foi formado a partir deste personagem que recebe o nome “Deus”.

O ato da criação indica mais do que apenas altruísmo, mas também, que existiu primeiro um plano para que aquilo que não existia, passasse a existir.

Qualquer bom construtor, arquiteto, engenheiro, ou mesmo a costureira, planeja muito bem o que irá fazer com cada parte do que está fazendo e onde quer chegar.

E o “criador” do universo não faria por menos, ele planejou cada detalhe da criação em nível subatômico, e cada coisa em toda a extensão do tempo cronológico do início ao fim.

O Plano.

Antes do primeiro ato de criação ser feito, Deus já havia traçado o plano todo do que Ele estava por fazer.

E neste tempo, propriamente “antes do tempo”, Deus havia decidido que iria fazer algo novo, diferente de tudo que já existia, pois Ele, em si, era toda a “existência”.

Mais do que criar novos seres para lhe tirar o “tédio de uma vastidão solitária”, Deus quis conceber filhos que levassem Dele as suas características, filhos que levassem a sua natureza. (#Gênesis 1:26)

Mas Deus não planejou apenas como seria seu primeiro filho de alma vivente, ele planejou como seriam todas as suas criaturas, de uma só vez.

Ele, através do primeiro homem, através das gerações que viriam depois do primeiro homem, planejou como seriam você e a mim. Não como uma mera suposição previsível, mas como um plano perfeito do que realmente tem de acontecer.

Ele planejou minuciosamente como seriam os seus olhos, o seu cabelo, a sua cor, o seu sexo, e mais do que apenas seu corpo, Ele também planejou como seria a sua personalidade. Tal qual um pai que sonha com seus filhos, sobre como eles serão, sobre como quer que se pareçam com Ele, Deus planejou você, com a diferença, de que tudo aquilo que Ele determinasse, se tornaria real, diferente de um pai humano, que somente consegue imaginar e torcer como seus filhos deveriam ser. Imagine uma folha em branco, no meio desta folha existe um ser, este ser é Deus, nada existe naquela folha em branco além de Deus.

Então, rapidamente ao olharmos para essa folha podemos dizer que “só o que existe” ali, é Deus. A vastidão do vácuo sideral não existe, pois ali, é somente Deus, e não existe espaço sideral porque não existe universo, porque não existem estrelas, porque não existem gases, porque não existem elementos, porque não existe matéria, porque não existem átomos, porque Deus ainda não havia criado coisa alguma.

Ali, naquela folha em branco, antes do tempo sequer existir, houve um momento, em

que Deus planejou o que iria fazer, e Ele decidiu que faria filhos. Filhos que carregassem a sua natureza e que reproduzissem a sua natureza, Ele queria uma grande família.

E para formá-la iria compartilhar de si mesmo a matéria, a natureza, e o Espírito de vida.

Deus planejou criar filhos que o amassem por livre espontânea escolha, e para isso, era necessário que Ele desse ao homem o “livre arbítrio”, capacidade de escolher se irá amar a Deus como Ele é, ou se irá escolher não amá-lo e se separar para sempre de Deus.

Se Deus não desse essa escolha ao homem, Ele estaria criando autômatos e não filhos, e nunca haveria prova de que aqueles que estão o amando, o amam porque decidiram amá-lo, e não, porque não tiveram escolha.

Um pai pode dar todos os presentes a um filho, um pai pode até mesmo obrigar um filho a fazer o que ele quer, por meio do suborno, da astúcia ou da ameaça, mas se o pai não der escolhas ao filho, nunca saberá se este filho o ama, ou é apenas um dependente dele.

Se o filho escolhe não amar a seu pai, que grande desgosto esse pai sofrerá, mas se gratuitamente o filho escolher amar a seu pai, quão grande alegria esse filho traz a seu pai.

Como todo e qualquer filho, Deus sabia que dando ao homem o livre arbítrio, ele poderia escolher caminhos que o afastariam eternamente Dele, e isso tornaria todo o processo de criação, inútil.

Assim como o pai que sabe que dar a chave do carro ao filho pode não ser uma boa ideia, mas se isso nunca acontecer, ele nunca saberá se o filho é ou não é confiável. Pois nunca deu a chance a ele, mas dando ao seu filho o carro, seu filho também pode dar contra outro carro, matar a si mesmo outra família inteira, e nunca mais pai e filho estarão juntos de novo. Tirar do homem a possibilidade de desobedecer a Deus, também tornaria igualmente inútil todo o propósito da criação, pois ao invés de uma família, Deus teria uma empresa, com milhões de empregados bajuladores em busca de promoção.

Sendo presciente, ele previu que se o homem tivesse a possibilidade de desobedecê-lo, se afastaria do próprio Deus, e toda a criação seria condenada a ser destruída pela morte, e o homem condenado ao inferno, que é o lugar reservado para aqueles que primeiro se rebelaram contra Deus. (Satanás e seus anjos #Mateus 25:41)

E o homem depois de violar o mandamento de Deus, seria incapaz de “concertar” o seu erro, porque literalmente, se tornaria o “imortal” que se tornou “mortal”, tentando voltar a ser imortal.

Depois que ele transgredisse a primeira ordem de Deus, o pecado (transgressão da lei), se instalaria em toda a criação gerando a morte, e o homem com toda a sua força, com todo o seu folego, com toda a sua inteligência, só conseguiria levar a si mesmo e toda a criação, para a destruição eterna.

E aí, tudo que fosse criado seria igualmente inútil. Se o homem pecasse, estaria morto.

Assim como alguém que morre é incapaz de sozinho retornar a vida, porque morto, ele não pode fazer nada que mude a sua situação, é necessário que alguém “vivo”, tome uma providência de ressuscitamento.

Em alguns casos de emergências, existem relatos de pessoas que vieram a óbito, passaram desde alguns minutos mortas, e casos extremos de até duas horas, como uma esquiadora que morreu congelada num lago na Suíça e duas horas depois foi reaquecida e ressuscitada com massagem cardíaca no hospital.

Ela, morta como estava, não podia fazer nada, dependeu do seu parceiro de esqui que tomou uma atitude para que ela pudesse voltar a vida, e claro, de um grande milagre. Se decisão alguma tivesse sido tomada, o homem, antes mesmo de ter sido criado, já era um projeto fadado ao desastre. E nem um engenheiro prudente começa uma obra que antes de começar tem possibilidade de fracassar, e do mesmo jeito, Deus não teria porquê dar início a criação, se ela não pudesse cumprir o propósito de lhe gerar filhos que levassem sua natureza.

#Gênesis 1:26, nos revela duas grandes informações.

A primeira: que Deus não estava só, pois Ele, quando ninguém ainda havia sido criado disse “façamos o homem a nossa imagem e semelhança”, Ali estavam naquele momento, Deus o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.

A segunda: o propósito de existência do homem é ser um filho que leva as características do Pai celestial. O propósito de existência de todo ser humano, é ter um relacionamento intimo com Deus.

Quando Deus chegou a esta constatação trágica sobre o homem, aquele que era “o verbo”, (#João 1:1-4), Jesus, olhou através dos séculos e das gerações, e viu a você e a mim, e Ele se apaixonou pela sua criação, pelos seus filhos, por aqueles que levaria a imagem e semelhança de Deus, por você e por mim, e não suportou a ideia de que você, nunca viesse a existir, e nunca tivesse a chance de nascer e experimentar estar vivo, sem nunca poder ter vindo a existência e decidido ou não, amá-lo.

Deus sabia o que era necessário para que o homem fosse redimido da sua desobediência.

Era necessário que um sangue puro, lavasse o sangue impuro.

Que um imortal, abrisse mão da vida deliberadamente, para que o mortal, pudesse ser feito eterno.

Que o justo, levasse a culpa do injusto, para que o injusto fosse feito justo.

Que o inocente tomasse a culpa do culpado, para que o culpado fosse feito inocente.

Era um preço muito caro a ser pago, não por Adão, não por Noé, não por Abraão, não por Moisés, não por Davi, mas por você e toda a humanidade, porque o pecado tornou todos os homens e mulheres, bons e maus, igualmente merecedores da condenação da morte e do inferno. O pecado aprisionou o homem, o subjugou ao domínio da morte.

Naquele momento, Jesus decidiu que doaria a si mesmo como sacrifício perfeito pelo pecador no tempo certo. E assim o projeto “homem”, foi viabilizado.

Certamente o homem pecaria se tivesse a chance e isso não era uma falha de projeto, pois Deus não só projetou como fez, o homem um ser perfeito, e a escolha de pecar foi um ato independente e de total responsabilidade do homem, e o pecado destruiria o propósito de Deus com a sua criação que era criar uma grande família que levasse Dele as suas características, natureza e Espírito, mas quando a parte de Deus que é o verbo, que é Jesus decidiu se entregar a morte em lugar do homem, a criação do homem, agora valeria a pena, pois agora haveria redenção para aqueles que se arrependessem, e nestes, o propósito de Deus seria cumprido.

Então Deus disse: - “Façamos...”

A criação.

Quando um homem quer muito ser pai, e recebe a notícia de que vai ter um filho, ele prepara todo o “ambiente” para conceber este filho.

Ele se muda para uma casa maior, ou desocupa uma peça da casa para fazer um quarto para o bebê, ele reforma esse quarto, pinta as paredes, arranja tapadores de tomada, redes de segurança nas janelas, iluminação, enche o quarto de brinquedos fofinhos, carpeta o quarto, faz ou compra um berço, uma babá eletrônica e tudo mais, pede um aumento ou muda para um emprego que renda mais, e o que ele puder fazer pela criança que ainda nem nasceu, ele fará, procurando criar um ambiente “perfeito” para conceber e educar o seu filho.

O filho é a principal motivação para a criação de todo este ambiente, e se nunca esse filho fosse concebido, aquelas tomadas continuariam sem tampões e as janelas sem redes, e aquela peça da casa ainda seria um depósito ou um escritório. Ou seja, o “ambiente” não existiria como “ambiente”.

E foi exatamente isso que Deus fez. A primeira coisa que Deus criou, foi o céu, a dimensão celestial com todas as criaturas celestiais, e depois ele criou a terra, a

dimensão material, com toda a sua matéria, e depois deu forma a essa matéria.

(#Gênesis 1:1) Primeiro foi criada uma dimensão espiritual que daria respaldo para a criação de um ambiente estável e seguro para ser concebido a única criatura que receberia a imagem e semelhança de seu criador, com o sopro do fôlego de vida.

(#Gênesis 2:7) Assim Deus criou toda a matéria pelo meio da sua palavra, pela palavra que saiu de sua boca. Tal qual uma linguagem de programação que cria o script de um programa, a palavra de Deus respaldou toda a criação, e pelo poder da sua palavra tudo foi criado e formado no universo.

Quem trabalha com desenvolvimento de softwares sabe que a linguagem de programação é o que determina tudo dentro de um programa, mesmo os programas de simulação de realidade virtual, deste ponto de vista é fácil de afirmar que tudo o que se “vê” foi formado pela “linguagem” e essa linguagem vem da palavra que saiu da boca de Deus.

No entanto, não é uma ilustração que todos possam imediatamente entender, por isso também gosto de pensar nisso como aquelas magnificas construções de relógios suíços feito a mão, com engrenagens e tudo.

Ao invés de ser usado chips de silício, são relógios feitos e montados a mão, com engrenagens perfeitas e minúsculas, com um sistema preciso de giros que determinam o tempo, ali dentro não existe mais espaço do que o necessário, e nem uma energia é desperdiçada.

Da mesma forma foi o universo criado por Deus, sem qualquer desperdício de energia e de matéria, cada coisa no seu devido lugar em perfeito estado, andando dentro do compasso.

E aí, quando Deus criou tudo isso, ele deu ao homem poder e autoridade sobre a criação, e se puder entender assim, é como se o homem naquele pequeno relógio, fosse o pivô que segura o compasso que determina o tempo no correr das engrenagens. Quando o homem pecou, esse pivô quebrou, e sem este pivô o relógio correu solto e já não era perfeito, e não cumpria o seu propósito. O mesmo aconteceu com o homem e a criação.

Então Ele criou o céu, depois criou a terra, então criou a luz, fez separação de luz e trevas, e chamou a luz dia e a noite trevas. Depois criou o firmamento do universo o espaço sideral, fez separação de águas e águas, e criou a atmosfera.

E aí ele passou a dar forma a este pequeno globo em que vivemos, depois emergiu a terra seca e formou os mares criou a flora do planeta. Criou as estrelas, os satélites e asteroides e definiu o padrão de atuação e os ciclos das estrelas, satélites e asteroides no universo.

Então Ele criou a fauna aquática, e a fauna aviária. Depois criou a fauna terrestre. E quando o ambiente havia sido todo formado, criou a última coisa, a cereja do bolo, o bebê que faltava naquele quarto: O homem.

E foi assim quem Deus criou o universo, a terra, e na terra o jardim, onde concebeu o homem, a sua imagem e semelhança. E depois de ter criado o homem e a mulher, Deus estabeleceu um padrão para o homem, como ele havia determinado um padrão para cada coisa no universo. E até aqui, tudo havia sido criado perfeito.

A perfeição.

No fim de cada coisa criada, uma narrativa acompanha a criação: “Viu Deus que era bom!” - E isso não é uma vanglória de Deus a respeito do seu próprio trabalho, como um homem que constrói um objeto com suas próprias mãos e fica satisfeito com aquilo que criou.

Na verdade, Deus estava determinando o padrão de perfeição para todas as coisas.

Ele pôs o sol no seu devido lugar e com o poder da sua palavra ele determinou que aquele lugar estava no padrão daquilo que é “bom”.

Logo, o dia em que o sol sair de seu devido lugar, teremos um problema de proporções astronômicas.

Como todo o universo foi formado com a palavra de Deus, o padrão de atuação de cada coisa dentro do universo, foi determinado também pela palavra de Deus.

Com a sua palavra Deus determinou cada lei da física e o seu comportamento e determinou que isso era “bom”. Igualmente Deus não deixou o homem sem um padrão, sem uma lei, sem recomendações.

Ele havia determinado ao homem que ele deveria cuidar do jardim, dar nome a todos os animais, e evitar comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois se não, morreria.

A medida que Deus foi estabelecendo um “padrão” de tudo que era “bom”, esse padrão expressou a lei que determina o que é perfeito, e se esse padrão fosse quebrado, a lei seria transgredida, e a transgressão da lei cobraria uma dívida de destruição eterna de todas as coisas criadas.

O pecado.

Absolutamente prático e sem qualquer significado místico, o pecado é, antes de tudo, a quebra de uma lei, a transgressão de uma lei.

A sociedade humana seja ela qual for, é regida por normas e regras estabelecidas, e foram determinadas para segurança e regulação dos indivíduos que integram esta sociedade.

Por exemplo, temos lei de transito que nos ensina o que pode ou não pode ser feito. Se um homem avançar o sinal vermelho, este homem “pecou” contra a lei de transito, e isso tem uma punição, e a justiça atribui isso como uma dívida ao transgressor da lei.

Não existe a necessidade nem de ir buscar a multa, ela virá no seu endereço. O que significa que todo aquele que transgride uma lei, fica em dívida com criou esta essa lei, neste caso o órgão de transito, e para pagar esta dívida ele deve sofrer uma punição, que neste caso é normalmente uma multa em dinheiro e pontos na habilitação de transito.

A mesma coisa acontece com a lei de Deus.

Mas diferente das leis humanas que tem muitas formas de punição, uma punição diferente para cada lei transgredida, a lei de Deus só tem uma única punição: Morte eterna.

Quando Deus criou todas as coisas Ele as criou perfeitas, e imortais.

Não existia cadeia alimentar nem “ciclo da vida”, a vida era uma reta sem fim.

Se a sua ordem fosse mantida, fosse cumprida, todas as coisas no universo, jamais teriam fim.

E Deus criou e estabeleceu o padrão para todas as coisas, e no final de todas elas, quando havia criado o homem, deu a ele toda autoridade sobre a criação de Deus, e esta autoridade estava embasada na obediência do homem à aquilo que Deus havia estabelecido por padrão.

Quando o homem desobedeceu a uma ordem e uma instrução direta de Deus, que era para não comer o fruto do conhecimento do bem e do mal, então a perfeição do universo se quebrou.

O pecado do homem criou uma dívida impagável com Deus, que havia estabelecido o padrão de todas as coisas, e o valor desta dívida, era a morte do homem, e com ele a destruição de tudo que existe. Quando o homem pecou ele não somente desobedeceu a Deus, mas pôs em risco todo o propósito da existência.

Como tudo havia sido criado como ambiente onde Deus pudesse conceber aquilo que Ele havia decidido criar – filhos que levassem Dele a sua imagem e semelhança, uma vez que esses filhos morreriam eternamente e estivessem para sempre separados Dele, então não haveria mais propósito para que todas as coisas criadas continuassem a existir.

Quando o homem pecou, não trouxe a morte apenas para si mesmo, mas para toda a criação.

O homem cometeu o pecado e o pecado contaminou toda a criação.

Para toda a lei quebrada, a justiça cobra uma punição, portanto, Deus sendo justo, tendo criado o homem perfeito, o criou sem lapsos de memória, sem defeitos de fabricação, o homem não teve traumas, não tinha tristezas, não tinha depressão, não tinha rancores contra Deus, não tinha necessidades nem motivos que justificassem seu pecado, então Deus não poderia deixar de exercer o juízo contra o homem, mesmo o amando, porque Adão recebeu diretamente da boca de Deus a lei, e também instruções com relação a esta lei, por isso Adão não era inocente.

Foi uma escolha independente e de total responsabilidade de Adão e Eva. Se Deus deixasse de exercer o que a justiça pede, então Deus é quem pecaria contra si mesmo, e aí a palavra de Deus não teria mais valor, e tudo que foi feito pelo poder da palavra imediatamente se extinguiria.

Satanás = Tentador

O tentador em forma de serpente

Antes do homem ter sido criado, Lúcifer, havia sido criado na dimensão celestial, como querubim ungido da guarda de Deus (#Ezequiel 28:1-14), e se rebelado contra Deus querendo tomar o lugar de Deus (#Isaías 14:12-14), e tudo isso ocorreu entre Gênesis 1:1 e 1:2.

E com ele, convenceu a terça parte dos anjos de Deus na sua rebelião (#Apocalipse 12:4). Então ele foi banido da dimensão celestial, para a dimensão da terra como trevas, onde estaria ante a face do abismo, esperando pela sua condenação eterna no inferno. (#Mateus 25:41)

Em Gênesis 1:2-4, vemos que o Espírito de Deus já estava aqui na dimensão da terra, e se movia sobre as águas a fim de criar vida, então nesta dimensão o Espírito invocou a presença de Jesus como a Luz (#João 1:4-5) e Jesus “houve” nesta dimensão. Veio e sujeitou as trevas ao seu devido lugar e houve a separação entre luz e trevas, do que é bom e do que é mau.

Depois de ter sido subjugado por Jesus antes da formação da terra, Lúcifer e seus anjos, não tinham qualquer autoridade nem poder, sobre toda a criação de Deus, e estavam diante de tudo que Deus estava fazendo, como meros espectadores.

Sem poder sobre o homem sendo apenas espectador, satanás em sua astúcia, decidiu tentar o homem com a mentira. Contou a Eva uma mentira, e insuflou a dúvida nela, e Eva cedeu ao diabo em forma de serpente, e por sua vez, Adão também tomou do fruto e o comeu, assim pecando.

No jardim do Éden, o diabo em forma de serpente, tentou a Eva distorcendo as palavras de Deus e mentindo a Eva, garantindo a ela que não morreria, quando Deus disse que justamente ela morreria.

E sugeria que ela sendo conhecedora do bem e do mal, seria como Deus, sem precisar aprender o que é o bem e o mal com Deus, sendo assim independente e igual a Deus. E Eva tomou do fruto e o comeu e deu a Adão que também comeu do fruto, e assim ambos transgrediram a lei de Deus e pecaram contra Ele.

“A mentira gerou a dúvida - a dúvida gerou incredulidade. A incredulidade gerou a independência - a independência consumou o pecado.”

Quando o homem pecou, ele transgrediu a lei, ele quebrou o padrão de perfeição que Deus criou, e a transgressão cria uma dívida, e a dívida, precisa de um cobrador, e assim satanás que não tinha qualquer direito sobre a criação, recebeu o poder da morte sobre toda a criação, e se tornou o cobrador da dívida.

O diabo, é o antagonista de Deus, mas o diabo não é poderoso para fazer frente a Deus, na verdade, em relação a Deus, o diabo é o oficial de justiça que cobra a nossa dívida com Deus.

O diabo é na verdade nosso inimigo, inimigo de nossas almas, e não o inimigo de Deus como se tivesse poder para se opor de tal maneira a Deus.

Satanás não será o carcereiro do inferno, nem o torturador daqueles que foram condenados ao inferno, mas colega de cela com todo ser humano que for para lá.

No entanto é importante entender quem é o diabo, que autoridade ele tem, e como ele atua. O diabo, por causa da dívida contraída pela transgressão da palavra de Deus, recebeu o poder e autoridade da morte sobre toda a criação, mas ele não recebeu este poder indefinidamente como se agora, ele, se quisesse, poderia ceifar toda vida na terra como quem mete a foice no feixe de trigo, ou como bem entendesse.

Ele recebeu a atribuição de matar, mas não a decisão sobre quando matar. Ele por si só, não pode tirar uma vida, sem que Deus permita, ainda que ele tenha recebido o direito de ser ele a tirar essa vida.

Antes de o homem pecar, todo aquele que nascesse, seria imortal como Adão e Eva eram imortais, porque ainda não havia pecado, e a vida de todos os seres humanos seria interminável, mas quando Adão pecou, se estabeleceu um “tempo”, um prazo, para a vida de cada alma que Deus decidiu fazer nascer, e quem definiu este tempo de vida para cada um, foi Deus.

E ao findar deste tempo, o diabo vem e ceifa aquela vida.

Na verdade, satanás e seus demônios, poderiam ser assemelhados a um grande escritório burocrático, onde cada funcionário trabalha com relatórios, anotando números e criando gráficos, alimentando planilhas, e juntando tudo isso e fazendo protocolos legais, que condenam cada homem e mulher pelos seus pecados, sejam eles quais forem, pois a condenação de qualquer pecado, ainda é a mesma, não apenas a morte deste corpo físico, mas a morte eterna no inferno.

E quando o seu processo for “protocolado”, ou quando chegar “o tempo” determinado pelo Justo Juiz (Deus), o cobrador (o diabo), vem cobrar a dívida.

Consequência.

Morte

O mais caro possível, foram as consequências que o pecado nos custou, pois quando o homem pecou, ele não foi condenado apenas a deixar de fazer parte do “plano terrestre”, ou do “plano material” morrendo, mas o homem foi condenado ao inferno.

E não somente Adão, ou Eva, mas junto com Adão, toda a humanidade que viria depois de Adão, estava condenada a se tornarem mortais, e além disso, merecedores do inferno. Significa, que, além dos sofrimentos, das doenças, das catástrofes naturais, da desordem na natureza, qualquer ser humano, ao morrer, iria para o inferno, não importando se ele fosse uma pessoa justa segundo a lei dos homens, e cheia de valores morais e éticos, além de cheio de boas obras.

O altruísta e o assassino, são condenados ao mesmo inferno, por causa do pecado de Adão, que condenou a humanidade a morte física e eterna.

O inferno, embora tenha sido criado por Deus, não foi criado primeiramente com o a finalidade de mandar os homens a quem ele criou segundo sua imagem e semelhança para a condenação eterna, mas primordialmente, para confinar eternamente Lúcifer e todos os anjos que junto com ele se rebelaram contra Deus.

Sendo um lugar de “destruição” eterna. Mas para este mesmo lugar, serão mandados todos que viveram suas vidas para si mesmos, assim, negando a Deus.

O inferno, mais que um lugar de fogo, vermes e lago de enxofre (#Marcos 9:44), é um lugar de separação eterna de Deus, onde aqueles que ali serão lançados, jamais tornarão a ver Deus novamente.

Para quem nunca conheceu a Deus parece pouco, mas vale lembrar, que o universo foi criado num ato altruísta de Deus, a criação foi um ato de pura bondade que revela a natureza pura e verdadeiramente boa do seu Criador. E tudo que é “bom”, está em Deus, como a própria “vida” que veio Dele, e por tanto é Dele, ser separado de Deus, é o mesmo que ser separado da vida, e de tudo o que é verdadeiramente “bom”.

Sabe como é a sensação de estar vivo?

Ou aquela maravilhosa sensação de sentir-se gratificado ao fazer alguma coisa boa que é útil para mais alguém além de si mesmo?

Ou quando a paternidade é recompensada pelos seus filhos, ou quando seus pais lhe dão algo realmente bom e que esperava ou precisava a muito tempo?

Sabe aquele sentimento delicioso de receber um abraço sincero e cheio de amor de quem te ama, como um filho ou sua esposa, ou marido?

Pois o inferno representa a separação de tudo aquilo que é bom, por toda a eternidade.

É perder tudo isso para sempre, sem nunca mais haver volta.

E quando os milênios e milhões de anos sem fim tiverem se passado, a mera lembrança daquilo que um dia era bom, terá sido como um sonho na noite, ou um devaneio de loucura.

O propósito de Deus é nos fazer sofrer? Não. Mas porque Deus em sua natureza é ele próprio tudo que é bom, a mera separação Dele é igualmente a separação de tudo que é bom. Logo o desejo de Deus, que todos o conheçam, é igualmente, o desejo de que todos tenham tudo aquilo que é bom. Verifique se você ainda está vivo.

Está respirando? O sangue corre em suas veias? Então alegre-se porque isso tudo é um presente de Deus.

Porque quando Adão pecou, Deus não tinha qualquer responsabilidade de justificar o homem do pecado que cometeu contra Ele. Deus poderia simplesmente riscar do plano da existência tudo que existe num estalar de dedos, e isso, ainda teria sido justo. Satanás e todos os anjos que se rebelaram contra Deus, pecaram contra Deus, assim como Adão, mas Deus não justificou a satanás, antes lhe deu sua merecida condenação por sua rebelião, banindo seu querubim ungido da guarda, do céu, e o condenando ao abismo de fogo eternamente.

Então, Ele não tinha que justificar o homem do seu próprio pecado, pois Deus o criou sem defeitos, pronto e capacitado para toda boa vontade Deus, e mesmo assim Adão pecou.

Ainda sim, Jesus, o Verbo, ainda antes do inicio de tudo, decidiu nos amar primeiro, e entregar a si mesmo para ser moído pelos nossos pecados, a fim de que nós fossemos feitos justiça de Deus. Mas no início, até que chegasse o devido tempo disso acontecer, Deus manteve o seu plano de redenção da humanidade, em segredo, e deu ao homem até que fosse Jesus revelado ao mundo, uma promessa, e aqueles que vivessem por esta promessa, morreriam na esperança da salvação da morte, do pecado e do inferno.

A promessa.

Quando Deus desceu no jardim do Éden para inquirir o homem pelo seu pecado, ele entregou a cada indivíduo, uma sentença pelo seu pecado.

Além de terem sido feitos mortais e portadores do pecado no seu DNA, e portanto escravos do pecado, da morte, e do diabo. O homem recebeu a condenação de “comer do suor do seu rosto”, e a terra passaria a produzir as ervas daninhas e espinhos para dificultar o trabalho do homem, que só passaria a colher, com dificuldade.

A mulher agora sofreria a dor intensa do parto, e o seu desejo seria para o homem, e seria submissa a ele. E a serpente, o diabo, Deus o condenou a rastejar com seu ventre sobre a terra e comer do pó da terra.

Em meio a condenação de Eva e o diabo, houve uma promessa de Deus, sobre o resgatador da humanidade, aquele que resgataria a humanidade do domínio do pecado, da morte, e do diabo de volta para Deus, pois Deus se dirige para a serpente (o diabo) e lhe diz: - Da semente da mulher, nascerá aquele que lhe pisará a cabeça e você lhe picará o calcanhar. (#Gênesis 3:15)

Com esta frase, Deus promete aos seus filhos, a Adão e a Eva, que existiria um redentor, que haveria alguém que concertaria o que eles fizeram, e iria redimir o homem do inferno, e da morte, e do pecado, e com isso arrancaria do diabo o poder de cobrar a divida de morte que o pecado de Adão criou.

E ao mesmo tempo Deus notifica ao diabo que ele terá sim o poder de morte sobre o homem e toda criação, mas que isso não seria para sempre, e o deixa atormentado com a notícia, de que este redentor, nasceria como um ser humano, e como ser humano ele humilharia ao diabo.

Pelo homem entrou o pecado no mundo, e pelo “Filho do Homem” o pecado foi tirado. (#1 Coríntios 15:45)

O desenvolvimento.

Com a sentença que Deus deu, Ele determinou que o homem, agora, para viver, teria de prover a si mesmo sustento e que esse sustento só viria com muito trabalho e esforço, e que a terra agora passaria a produzir ervas daninhas e espinhos a fim de dificultar o trabalho do homem, e que a mulher para conceber sofreria dores horríveis no parto, e que ela agora deveria ser submissa ao homem, e que o diabo agora receberia o poder da morte, e rastejaria sobre seu ventre na terra, e comeria o pó da terra (o homem), mas que isso não seria para sempre, e que viria um dia o “filho do homem” que tiraria do diabo todo poder e domínio que ele recebeu pelo pecado de Adão.

E é a partir desta promessa que vem o desenvolvimento da história.

É necessário entender que o diabo que não tinha poder porque Deus já o havia subjugado antes da formação da terra, só recebeu poder de morte sobre o homem e a criação, por que o homem, feito a imagem e semelhança de Deus, pecou.

Então Deus sentencia o diabo, que obteve a vitória sobre o homem, que justamente do homem, sobre a natureza que satanás havia vencido, Deus traria o resgatador da humanidade, que iria subjugar a satanás sob seus pés.

Portanto, a partir de agora, se desenvolveria uma linhagem que precederia o redentor em forma humana.

O homem estava sobre toda a criação, e pelo homem entrou o pecado no mundo, então se fazia necessário, que por meio de um homem o pecado fosse tirado do mundo.

Um povo.

Logo após a queda do homem, a queda de uma vida perfeita e imortal, para uma vida imperfeita e agora mortal, Deus começou a separar uma linhagem entre os descendentes de Adão, que dariam a origem a linhagem de Jesus. Adão gerou a Caim e Abel, então por inveja, Caim matou a Abel, porque Abel soube agradar a Deus pela sua fé, e Caim não (#Hebreus 11:4), além de ter endurecido seu coração para Deus.

Então Adão e Eva geram mais um filho, do qual veio uma descendência de homens que buscavam agradar a Deus e encontrar meios de se relacionar com Deus, e saber a sua vontade, e viver de acordo com ela, foram eles chamados de “filhos de Deus”.

Essa busca por ouvir e obedecer a voz de Deus, por manter um relacionamento com Deus, passou de pais para filhos.

Algumas gerações mais tarde muitos “filhos de Deus”, se desviaram da vontade Deus e se casaram com as filhas dos “homens” que eram pessoas que seguiam sua própria vida como queriam, segundo a vontade de seu ego, sem nunca buscarem ao Deus verdadeiro, como os descendentes de Caim.

Cada vez mais durante os séculos que se passaram após a queda do homem, a humanidade pendia profundamente para o pecado e o afastamento consciente de Deus, ao ponto que para preservar que o nome Dele e sua promessa, não fossem esquecidos, e impossibilitados de serem cumpridos, Deus decidiu destruir a primeira sociedade humana global, pelo dilúvio. Para dar continuidade a raça humana e aos animais, Ele separou Noé, descendente dos “filhos de Deus”, homem que foi achado “integro” diante de Deus numa geração onde nem um outro homem de sua geração ainda era.

Depois do dilúvio, dos três filhos de Noé vieram a descendência de toda a humanidade atual, os descendentes de Sem povoaram o Oriente, Jafé a Europa, Cam a África.

Na terceira geração após o dilúvio, ocorreu a confusão das línguas na torre de babel, o espalhar dos povos, e logo após isso, a pangeia que foi a separação dos continentes.

Mais nove gerações adiante, entre os semitas, houve um homem que agradou a Deus pela sua fé, e isso lhe foi imputado como justiça.

Abraão.

Abraão contando as estrelas do céu.

Deus prometeu a ele que a partir dele, iria fazer um grande povo, que seria depois uma grande nação na terra, e que por meio da descendência dele, Deus abençoaria todas as famílias da terra. E a ele também lhe prometeu que “proveria o cordeiro”, que tira o pecado do mundo. E mais do que ter provido um cordeiro como substituto imediato pela vida de Isaac, seu filho, naquele sacrifício, Deus proveria um substituto para sofrer a condenação da humanidade por causa do pecado. (Jesus) Na descendência de Isaque filho de Abraão, nasceu Jacó, e de Jacó nasceram doze filhos que originaram as doze tribos. Jacó com seus doze filhos e com tudo o que tinham, foram morar no Egito. E lá, como Deus prometeu a Abraão, eles foram escravizados pelos egípcios. (#Gênesis 15:13-14).

Uma cultura.

O Tabernáculo

Como escravos no Egito, eles se multiplicaram às centenas de milhares, se tornando de fato um grande povo.

Mas ainda não eram uma nação, e conforme o que Deus prometeu a Abraão, chegava a hora deste povo ser liberto, e ser feito uma grande nação.

Através de Moisés, Deus não apenas libertou o povo do Egito e destruiu a nação egípcia, mas também trouxe a um aglomerado de pessoas do mesmo sangue, uma cultura definitiva.

De tal forma que Israel não é uma subcultura egípcia nem uma subcultura cananeia, ou caldeia mesmo que tenha descendido do caldeu Abrão e se desenvolvido na nação egípcia e se estabelecido sobre a nação cananeia.

Muito mais do que abrir o mar vermelho com o toque do seu cajado, Moisés recebeu de Deus a cultura para formar aquele aglomerado de pessoas em uma nação, dando ao povo a revelação da vontade Deus para eles, suas promessas, e leis que instruíam o povo na sua cultura, desde como lidar com os crimes até como lidar com o gado e a terra. Das leis cerimoniais até leis sanitárias.

Moisés

Através de Moisés, Deus, pela primeira vez estabeleceu entre os homens uma religião, com muitas leis e cerimonias e coisas que fizessem o povo vigiar o tempo todo o cumprimento dessas leis, porque através dessas leis, dessas promessas, Deus mostra ao homem que toda religião é infrutífera para produzir mudança de natureza, e a salvação de nossas almas.

Antes que Jesus cumprisse sua obra morrendo e ressuscitando e subindo a destra de Deus, o homem não tinha como nascer de novo da natureza de Deus e por tanto não tinha como efetuar a perfeita vontade Deus, e é isso que a religião hebraica nos mostra, que o homem em toda a sua capacidade humana, só conseguiria ser religioso.

Além disso, ao mesmo tempo que Deus cria um povo para ser chamado de seu entre todas as nações da terra, ele também está deixando livre todas as outras nações para viverem de acordo com sua própria vontade, e continua se revelando bom e abençoador, dando-lhes chuvas, e colheita, mesmo que toda a humanidade, por causa do pecado, esteja sujeita a condenação da morte eterna.

Quando separou um povo para si, onde Ele mesmo criou o contexto onde iria vir em carne humana o seu Filho, o Verbo, também garantiu que houvesse um povo remanescente em toda a humanidade, que guardaria o seu nome e a sua vontade.

Josué em Jericó

Através de Josué, sucessor de Moisés, Deus dá ao seu povo criado e escolhido, a sua própria terra onde era Canaã, e agora as doze famílias, descendentes dos doze filhos de Jacó que teve seu nome mudado para Israel, tornaram-se doze gigantescos clãs, dominando Canaã, formam a nação, e a batizam com o nome que Jacó recebeu de Deus quando contendia com o anjo de Deus em Peniel no vale de Jaboque. Chamam toda aquela terra conquistada de “a nação de Israel”.

Um reino.

Saul -> Davi -> Salomão

Moisés, antes de morrer, profetizou duas coisas sobre os rumos de Israel, a primeira, que mesmo Israel sendo governada diretamente por Deus, iria traí-lo querendo para si um rei como qualquer outra nação. (#Deuteronômio 17:14)

E segundo: Que um dia, viria um profeta que como ele, estaria diante da presença de Deus, e anunciaria a vontade de Deus para todos os povos. (#Deuteronômio 18:15) (Jesus)

Quando Josué, que era o menino escrivão e ajudante de Moisés, depois da morte de Moisés, havia tomado as terras de Canaã e subjugado o povo da terra, as doze tribos foram divididas em seus respectivos territórios, mas não havia sido formado um reino. Não havia uma liderança em comum, não havia uma força militar, uma organização judicial, um sistema em comum que governasse o povo.

Havia o tabernáculo, que geração após geração foi se deteriorando conforme o povo foi se desviando de cumprir a lei que Deus lhes dera através de Moisés, e se entregando às idolatrias dos povos remanscentes de Canaã, e mesmo os sacerdotes (a tribo levítica, a tribo de pessoas que eram filhos, netos e bisnetos de Levi filho Jacó) haviam se desviado da vontade de Deus buscando um meio de vida como sacerdotes de “ídolos do lar” (imagens em esculturas de barro criadas por pessoas).

Então mesmo havendo ainda um tabernáculo e os livros da lei (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), isso não subjugava o povo a viver de baixo de um mesmo sistema de governo.

Naturalmente os mais ricos entre o povo passaram a exercer a autoridade que seu volume de bens lhe atribuía, e com um povo dividido e perdido de buscar ao Deus Eterno, esses pequenos povos da nação de Israel (as doze tribos) se tornavam um prato cheio para os reinos vizinhos (Moabe, Amom, Jebus, Etc) saquearem e dominarem as tribos de Israel. Por isso, para dar livramento que toda a nação fosse dizimada, Deus, naquilo que era imperfeito (Pois quase ninguém se dedicava exclusivamente a Deus), levantou vários “juízes”, que julgavam entre o povo segundo o livro da lei de Moisés, e reunia o povo para batalhar contra os invasores e dominadores do povo.

Mas mesmo os juízes escolhidos de Deus, eram levados por sua natureza corrompida, e cometiam muitas falhas, e tão logo um juiz morre-se, o povo voltava às suas próprias vontades. (Gideão adorou seu próprio colete de ouro como ídolo, Jefte dedicou a própria filha em sacrifício, Sansão quebrou todas as regras do nazireado uma a uma… Etc…)

Algumas gerações depois de Josué, o povo se cansa de viver sem a tutela de um soberano, e se reúnem, e pedem ao sacerdote, juiz e profeta, Samuel, que Deus revele um rei para ser ungido rei da nação de Israel.

Agora as profecias de Moisés, e de Abraão se alinham com a promessa do resgatador da humanidade. (#Gênesis 3:15 #Gênesis 22:8 #Gênesis 49:10-11 #Deuteronômio 18:15)

Um REI.

Conforme o previsto por Moisés na lei, aquele que fosse o rei, além de ter o direito totalitário sobre a nação, deveria exclusivamente viver de baixo da direção que Deus desse a ele, e meditar na lei, de dia e de noite. (#Deuteronômio 17:14-20)

Deus escolhe a Saul, e Samuel o unge (besunta de azeite de oliva e mirra) rei da nação de Israel.

E assim se levanta um rei em meio a uma nação em frangalhos, empobrecida pelos povos que a subjugavam. Saul era benjamita, descendente de Benjamim, filho de Jacó, filho de Isaque, filho de Abraão. Jacó, havia profetizado que Judá seria como um leão e dela se estabeleceriam os reis de Israel, mas também profetizou que a tribo de benjamim seria como um lobo voraz e durariam para sempre. Sobre Judá e sobre Benjamin havia uma palavra de serem estabelecidos.

Então Saul como benjamita tinha a mesma palavra sobre ele. Saul era um rapaz alto e bonito, que buscava a Deus, e que se preocupava com a situação em Israel. O Espírito de Deus estava sobre Saul, e Saul teve muitas manifestações com Deus, e até o povo por causa de alguns eventos, lhe chamavam de profeta, pois profetizou em alguns momentos. (#1 Samuel 10:9-10)

Mas Saul, começou seu reinado muito mal, além da falta de estrutura adequada, de recursos, de armas, e de um exército devidamente treinado, Saul, levado pela convencionalidade e o medo, fez coisas sem ter a palavra de Deus, e por causa da sua desobediência, Deus decide que Saul não estabeleceria a sua descendência real sobre Israel, e que iria ungir outro homem, rei sobre Israel. (#Samuel 13:13-14)

E Deus escolhe a Davi, que na época era um menino que cuidava das ovelhas de seu pai, e o mais novo de sua casa. Samuel derrama óleo sobre a cabeça de Davi e o unge rei de Israel.

Mas Davi não é estabelecido como rei imediatamente, pois Saul ainda reinava, e se desenrola uma longa história de abuso e opressão e perseguição de Saul com Davi, pelo meio das quais, Davi se prova totalmente obediente a Deus, diferente de Saul, que desde que recebeu o aviso de Samuel que Deus ungiria outro a rei, passou a resistir contra Deus, tentando estabelecer seu reinado pela força de seu braço.

(Talvez, Saul e sua família, tivessem saído disso vivos, se logo tivessem entregado a coroa a Davi e obedecido a Deus, pois isso teria sido um sinal de arrependimento. Mas o medo de que Davi o matasse para estabelecer a própria dinastia, não o deixou se arrepender.)

Enquanto que Saul era orgulhoso, obstinado, e não se arrependia, Davi constantemente se analisava e buscava o arrependimento, enquanto que Saul não se quebrantava, era duro de coração, Davi constantemente buscava o quebrantamento e rasgar seu coração diante de Deus, e isso fez de Davi um homem que buscava constantemente a vontade de Deus, como um rei em Israel deveria ser.

Após a morte de Saul, Deus estabelece Davi como rei de Israel a tal ponto que promete a Davi que da descendência dele viria o resgatador da humanidade, seu descendente que seria aviltado e maltratado, rejeitado pelo povo e morto sem pecados, mas que não apodreceria seu corpo, e que viveria eternamente.

(#Salmo 2.7 #Salmo 8.6 #Salmo 16.10 #Salmo 22.1 #Salmo 22.7-8 #Salmo 22.16 #Salmo 22.18 #Salmo 34.20 #Salmo 35.11 #Salmo 35.19 #Salmo 40.7-8 #Salmo 41.9 #Salmo 45.6 #Salmo 68.18 #Salmo 69.9 #Salmo 69.21 #Salmo 72.1-5, 17 #Salmo 72.8-11, 19 #Salmo 72.2-4 #Salmo 78.2 #Salmo 109.4 #Salmo 109.8 #Salmo 110.1 #Salmo 110.4 #Salmo 118.22 #Salmo 118.26)

E através do próprio Davi em seus salmos, ele mesmo profetiza sobre o Messias, o Cristo, o ungido de Deus que tiraria o pecado do mundo e subjugaria todas as nações de baixo do seu poder. Muitos outros profetas depois do tempo de Davi profetizaram em cada detalhe, em cada minúcia, como seria a vinda deste Messias.

E o povo constantemente aguardava o surgimento deste descendente da linhagem real que viria para reinar. A palavra messias, que é igual a cristo, significa “ungido”, “o ungido de Deus”, “o escolhido de Deus”. Saul primeiramente foi o “ungido de Deus” para primeiro reinar Israel, Davi foi o segundo “ungido de Deus” para reinar sobre Israel.

O termo “messias/cristo”, remetia diretamente a um homem descendente do rei Davi, escolhido por Deus para reinar Israel. E ao casar as profecias, o senso comum era de que viria um homem, que descendia de Davi que teria o poder dos profetas, um coração como de Davi, o relacionamento de Moisés com Deus, e que revelaria a vontade Deus para Israel, e que subjugaria com seu poder as nações da terra. Geração após geração, o povo esperava o surgimento de um novo rei que traria a glória perdida dos dias de Davi e Salomão a nação de Israel e desse início a uma nova e duradoura dinastia de soberanos.

Os descendentes biológicos de Jacó, esperavam um rei, quando na verdade tudo se tratava da promessa de resgate da humanidade, do domínio do pecado, da morte, e do diabo.

O desfecho.

Depois de vinte e oito gerações após Davi, o cenário em Israel era completamente diferente do que havia sido com o governo de Davi e Salomão.

Roma havia se levantado como um império poderoso e implacável que devorava reinos e subjugava nações, apostando no sincretismo e na liberdade religiosa de cada cultura, desde que cada reino estivesse subjugado a Roma pagando seus impostos a César.

O povo que restou dos hebreus depois que israel foi dominada primeiro pela babilônia e exilada, foram os Benjamitas e os Judeus que voltaram para sua terra após a dispersão dos judeus no fim do exílio. Faziam aproximadamente quatrocentos anos que não se levantava um profeta de YHWH (Deus), o povo seguiu seus próprio rumos, seitas nasceram buscando interpretar as leis de moisés, criando uma religião judaica.

O povo detestava o governo romano, como odiaram qualquer povo que os subjugou alguma vez, e esperavam ansiosamente, clamavam, pelo surgimento de um descendente de Davi que viesse libertar o povo de Israel de todos os seus opressores e estabelecer um tempo de paz e soberania como nação.

No entanto, levado pelas suas próprias necessidades, os sobreviventes do “povo de Israel” não perceberam o seu messias. Passou despercebido, cumprindo tudo quanto ele tinha que cumprir.

Diferente de tudo que eles esperavam, o Messias, era um homem de paz, que não veio dar uma resposta aos conflitos nacionais e políticos, mas sim cumprir o propósito de Deus, para que a humanidade pudesse ser redimida do pecado, que deu lugar para a morte em toda a criação, que deu poder ao diabo de dominar sobre o homem, que trouxe as doenças como mecanismos de operarem a morte no homem, que fez o homem “viver” em torno da morte, aprisionado-o a ela.

O povo de Deus não queria ser eterno, queria apenas se satisfazer com uma boa vida até a morte. Por isso, raríssimos judeus, viram a salvação que vem de Deus, quando o salvador estava entre nós.

Jesus Quando o homem pecou, Deus entregou o homem às consequências de sua própria escolha. Ter escolhido comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, não foi apenas a óbvia escolha de morder a fruta que parecia “boa para dar entendimento”, mas igualmente foi a decisão deliberada de adquirir independência.

Sem mais ter que depender de Deus para saber o que é certo e errado, sem mais ter que depender de Deus para ser conhecedor do bem e do mal, e ser igual a Deus que a tudo conhece e de ninguém depende, e é autossuficiente em si mesmo.

Ao comer o fruto do conhecimento do bem e do mal, o homem decidiu confiar na serpente que fala, e desacreditar do Deus que o criou a sua imagem e semelhança e que esteve com ele todos os dias em todas as tardes e manhãs de sua vida, até o momento em que o homem pecou.

O homem ao comer do fruto decidiu fazer as coisas por si próprio, e foi o que ele conseguiu. Deus deixou o homem a mercê das consequências de sua própria escolha. Antes o homem era suprido por Deus, de agora em diante o homem teria de suprir a si mesmo. Deus é a vida, e o homem perdeu sua vida ao pecar, daí por diante a morte passou a imperar sobre a vida do homem.

Adão e Eva que antes não tinham que se preocupar em se manterem vivos, agora sofriam sensações que nunca tiveram. Sede, fome, frio, e principalmente, medo da morte, de não ter roupa, de não ter comida, de não ter abrigo, medo de não conseguir atravessar a noite, medo de altura, medo de doenças, medo do desconhecido.

Pois o conhecimento adquirido com a desobediência, trouxe o desconhecido, a incerteza. Mas Deus prometeu ao homem um resgatador, que viria em forma de homem e que venceria onde o homem foi derrotado, e que esse homem faria todos os homens que cressem nele, livres.

Livres daquilo que originou todas as cadeias que prendem o homem, livres do pecado, livres da morte, livres de satanás, livres de si mesmos. Quando Adão pecou, por causa do pecado que trouxe a morte, ele adquiriu instintos, de preservação, de territorialismo, de tribalismo, e a sua natureza foi contaminada pelo pecado que produz a morte no homem, como o medo, o egoísmo, promiscuidade sexual, a avareza, a mentira, o latrocínio, corrupções morais e todos os males da alma, e tudo isso surgiu por causa do pecado.

Essas coisas que contaminaram a natureza do homem, produzem a morte. Por exemplo: Um clã encontra água e um abrigo próximo, mas outro homem desconhecido também encontra a mesma fonte de água e abrigo, por questão de sobrevivência e auto preservação, o primeiro clã que encontrou os recursos naturais, vai atrás daquele indivíduo estranho e o mata. Para garantir sua posse sobre a fonte de água e o abrigo, e para que mais ninguém faça com eles, o que fizeram com o espia.

Em termos de natureza, é claramente uma questão de lógica. Enquanto que mecanicamente aceitável, é moralmente perturbador.

Os motivos que levaram os indivíduos do exemplo citado a se comportarem assim, é o “medo da morte”. E foi sobre esses rudimentos que a sociedade humana se construiu, e por isso ela é injusta e imperfeita, ela é um produto da natureza corrompida do homem, que só pode produzir injustiça.

Logo, as injustiças que a sociedade produz não são a vontade de Deus mas mera consequência das escolhas do homem. As guerras, a fome, a violência, o descaso, a falta de amparo, a marginalidade, a orfandade, o abandono de incapaz, os abusos, os estupros, os abusos de autoridade, as corrupções. Nada disso é da vontade Deus.

Mas a vontade de Deus é esta, que todos sejam salvos. (#1ªTimótio 2:1-4) E por isso Deus prometeu um resgatador da humanidade, logo quando o homem pecou. Deus não tinha qualquer obrigação em justificar o homem, pois o que sucedeu ao homem foram as consequências de suas escolhas, e isso era justo.

Deus, no momento que o homem pecou poderia ter dado as costas as humanidade e deixado que ela, com razão, se auto destruísse. Mas Deus revelou a sua vontade em Jesus. Jesus é a justiça de Deus. Se Jesus apenas tivesse vindo, falado tudo que falou, morrido em nosso lugar e não nos dado a oportunidade de nascer de novo, então por um momento, toda a criação teria sido justificada de seus pecados, para no momento seguinte, retornar ao pecado.

O pecado se instalou na natureza do homem, logo para que o homem seja livre dos instintos que o levam ao pecado e a morte, é necessário que o homem que tem uma natureza corrompida, receba uma nova natureza, pois justificar o homem sem lhe dar uma nova natureza, é como jogar uma ovelha do alto de um precipício esperando que ela abra as asas e voe. (Ovelhas não tem asas.)

É impossível, é mais do que certo que o animal vai se esborrachar, porque “não é da natureza de uma ovelha, voar.” E desde que o homem pecou, “não é da natureza do homem, ser santo”, e com isso podemos afirmar muitas outras coisas, como: Desde o pecado, já não é mais da natureza do homem a longanimidade, perseverança, paciência, mansidão, altruísmo, esperança, e todos os frutos do Espírito (#Gálatas 5:22).

Mas graças a Deus, Jesus veio, fez o que fez, morreu em nosso lugar, e também nos deu uma nova natureza, para todos aqueles que se arrependem e buscam nascer de novo da água e do Espírito. (#João 3:1-21)

E foi para isso que Jesus veio, para manifestar a vontade de Deus que o homem seja salvo. Mas não era essa a vontade do homem. No início, não tinha como o homem perder a consciência da importância de ser salvo dos pecados, Adão experimentou na carne os efeitos de um dia ter sido perfeito e no outro ter todas as mazelas em sua natureza, e com certeza essa história foi passada de geração em geração.

Não havia como fugir do que o pecado estava fazendo com o homem, pois Caim matando Abel só comprovou essa necessidade de salvação do pecado e dos seus efeitos. Mas a medida que a espécie humana foi enchendo a terra, novas famílias e novos clãs, e novas tribos foram se formando, e as necessidades imediatas foram tomando lugar na mente humana, quanto mais gerações se passavam e mais gerações morriam, mais o homem foi se acostumando com a morte, como “o inevitável”, o homem se acomodou a viver algumas boas décadas desfrutando da comida, da bebida, da luxúria, de suas conquistas, de suas obras, e morrer eternamente.

E assim, a consciência sobre a morte, sobre o pecado, sobre Deus, foi se perdendo, se distorcendo, e quase esquecida. Sistemas e governos surgiram, reinados eram mais importantes, o governo era mais importante, a riqueza era mais importante, “meio de vida” era mais importante.

Quando Jesus veio, seu próprio povo que tinha a promessa de que Ele viria, esperavam um rei, um sacerdote, um profeta, um juiz, um líder, um homem que fosse poderoso para desafiar o governo de César sobre Israel.

Eles esperavam ser libertos de Roma, dos Herodianos, dos países vizinhos, porém, só não esperavam serem libertos da morte, eles esperavam a restauração do templo de Israel, a restauração do ministério levítico, a restauração dos dias de glória do reino de Salomão.

Só não esperavam a restauração do relacionamento do homem com Deus. Jesus é o Rei, do Reino de Deus. Jesus é o servo de Deus que nos serviu em nossas enfermidades e nossas dores. Jesus é o filho do homem que venceu onde o homem foi derrotado. Jesus é o filho de Deus que veio em carne e manifestou a vontade de seu Pai entre nós. Jesus foi o profeta, o rei e sacerdote, prometido em todo o antigo testamento, mas mais do que isso, Jesus é justiça de Deus, que nos liberta do pecado, da morte, e do inferno.

A Justiça.

Todos os problemas e as crises do homem nasceram junto com o pecado, foi por causa do pecado que o inimigo de nossas almas passou a governar o homem através da morte.

Desde que o homem se tornou mortal, a sua luta diária tem sido em permanecer vivo, até que a morte seja inevitável, e desde então toda a sociedade tem sido governada pela necessidade.

Um homem faminto, mata outro homem e rouba dele a comida, porque se não comer, morrerá de fome.

Um homem mata outro homem que o ameaça, para que o outro homem não o mate primeiro, um grupo de homens ataca outro grupo para tomar deles água, comida, roupas, e território, para que possam viver “em paz”.

Um clã faz guerra com outro clã, pela sobrevivência da sua posteridade. Um reino toma outro reino pela expansão de suas fronteiras, para que sua dinastia sobreviva.

E assim o mundo se governa pela morte, os homens matam para não morrer, e a morte veio pelo pecado, e o pecado originou toda injustiça que perdura no mundo.

E desde o pecado, nem um ser humano, é capaz de quebrar o paradigma. O pecado foi inserido em nossa natureza, desde o pecado o homem não é capaz de ser justo, ou de entender a justiça, já que ele mesmo está contra a justiça desde que pecou no Éden. O homem não é capaz de ser verdadeiramente altruísta, já que faz o bem aos outros para sentir-se bem consigo mesmo.

Desde o pecado o homem não pode ser perfeito, e portanto não poderia se livrar do pecado, e sem se livrar do pecado, nunca jamais haveria justiça no mundo. Sem que o homem seja livre do pecado, ele não pode ser liberto das doenças, não pode ser liberto das maldições, não pode ser liberto das necessidades e dos problemas, não pode ser verdadeiramente altruísta, não pode verdadeiramente viver, não pode se livrar da morte, e não pode se livrar da morte eterna, no inferno.

A morte, a fome, as doenças, as tragédias, as injustiças, as desgraças, as catástrofes, a corrupção moral e ética, as injustiças, as necessidades mais básicas até as mais fúteis, tudo, teve origem no pecado, na desobediência de Adão e Eva ao que Deus ordenou, e desde então o pecado faz parte da nossa natureza, e junto com o pecado tudo o que ele trouxe.

É por causa do pecado que morremos, é por causa do pecado que brigamos, abusamos, corrompemos, adulteramos, defraudamos, roubamos, matamos, mentimos e somos egoístas.

O pecado está entrelaçado à natureza humana à nível individual, o que resulta, em escala global, numa sociedade humana corrompida e injusta. Guerras ceifam vidas porque lideres de suas nações não entram em acordo, com guerras países ficam sem recursos, homens jovens e adultos tem de sair de seus lares para defender a nação sem a certeza de que retornarão para suas esposas.

Esposas e filhos padecem de fome em seus lares por causa da mesma guerra. Mesma guerra que vitima milhões de civis, e ao findar dela, ela deixa uma geração inteira órfã. É senso comum que as guerras são um fruto terrível da natureza humana, mas não foram apenas as guerras que tornaram nossa sociedade injusta.

No governo um fiscal da vigilância sanitária que tem filhos e família, recebe uma denuncia de um estabelecimento na cidade, e ele vai até lá para examinar o estabelecimento que serve comida, e logo fica evidente que o estabelecimento tem de ser fechado.

O dono do estabelecimento não tem dinheiro para regularizar sem ter de fechar, e o estabelecimento é o único meio de vida dele, para “sobreviver” a isso, ele faz um suborno ao fiscal, que também tem família, e que sabe que os orçamentos na sua casa andam apertados, e que seria bom um dinheiro extra, que poderia dar a esposa aquele presente que ela quer, ao filho a viagem de intercâmbio que pode valorizar o futuro dele, a filha aquela festa de quinze anos que todas as colegas terão menos ela. O fiscal aceita o suborno, o dono do estabelecimento respira aliviado embora terá de sacrificar algumas coisas para dar esse suborno, mas o estabelecimento vai continuar a “prosperar”.

Não no dia seguinte, nem na mesma semana, talvez nem no mesmo ano, mas um dia, entra pela porta do pequeno restaurante uma família que parece ter saído de um comercial de margarina ou de previdência de algum banco, um homem e uma mulher bonitos, com uma linda menina de seus seis anos, cabelos encaracolados olhos verdes e um sorriso alegre.

Eles fazem o pedido “da casa”, e esperam pelo seu almoço, a menina come seu delicioso almoço, e algo parece errado, eles vão para casa a menina adoece, e morre, por infecção no aparelho digestivo.

Então uma menina de seis anos morre, sem nunca ter vivido, sem nunca ter tido a oportunidade de se tornar alguém, sem poder crescer se apaixonar e formar uma família.

Na cabeça dos pais ou de qualquer um, só resta uma pergunta: É a vontade de Deus?

De maneira nenhuma. Não é a vontade de Deus que a menina morresse, nem que que aquela comida malfeita fosse servida, nem que o estabelecimento continuasse a operar sem ser regularizado.

Não era a vontade de Deus que o dono do estabelecimento subornasse o fiscal, e nem que o fiscal aceitasse suborno. Mas tudo isso foi resultado das escolhas que cada ser humano envolvido tomou, e as consequências dessas escolhas.

E foi a isso que Adão, e toda humanidade, foi condenado quando pecou: ficar à mercê das consequências de suas escolhas egoístas.

Onde Jesus entra como a justiça de Deus nisso tudo? É evidente que a injustiça é gerada por causa do pecado na natureza do homem, o mesmo instinto de autopreservação que leva o soberano de uma nação a declarar guerra contra outra nação que “ameaça o estilo de vida” da sua nação, é o instinto que prevalece no homem que suborna para não ter “seu meio de vida” fechado, e que leva o fiscal a receber o suborno para “melhorar seu estilo de vida”. E tudo isso teve origem no pecado, na natureza pecaminosa que cada um carrega em seu DNA.

E é a libertação dessa natureza que Jesus nos trouxe. Agora, para todos os que nasceram de novo, e receberam o Espírito Santo, não é mais necessário ferir quem te fere, pois a natureza de Jesus está nela agora, e pela natureza de Jesus ele tem a capacidade que antes não tinha, de perdoar quem lhe fere.

Antes tínhamos que lutar uns contra os outro por causa de recursos, agora, todos os que nasceram de novo confiam que Deus os suprirá em todos os recursos, e por isso já não têm que matar para garantir seus recursos.

Jesus libertou o homem do pecado, e do pecado, a morte, e da morte os mecanismos que levam a morte, como as doenças, as tragédias, os frutos da carne que operam a morte do homem.

É injusto que uma criança nasça cega, ou paraplégica, mas agora em Jesus essa criança pode ser curada, é injusto que crianças morram de fome em nossas cidades e país, é injusto que pessoas não tenham roupas para suportar o frio, é injusto que viúvas, incapazes, idosos, e doentes sejam abandonados para a morte, mas agora, todos os filhos de Deus podem operar a perfeita vontade de Deus e alimentar o faminto, adotar o órfão, cuidar da viúva e do incapaz.

Não para ser salvo, não para se sentir em paz consigo mesmo, e nem para ser uma pessoa melhor, mas porque essa é a natureza que Deus deu a todos que nascem de novo. Tal qual é natural a um pássaro voar, é natural aos que nasceram de novo dar solução aos problemas do mundo, é natural aos filhos de Deus serem pacificadores do mundo.

Antes estávamos condenados a viver presos a nossa natureza destrutiva, em Jesus somos libertos de nossa própria natureza e recebemos a natureza abençoadora de Deus, e todos quantos são feitos filhos de Deus, Deus como Pai, os suprira em suas necessidades, desde que vivam segundo a natureza de Cristo.

Agora, livres da natureza corrompida que nos obriga a ofender quem nos ofende, a devolver o tapa, a prejudicar quem nos prejudicou, agora livres da natureza que não pode sofrer jamais o dano e que nunca pode ser submetida de livre espontânea vontade, livres da natureza avarenta que nos impede de compartilhar e usufruir das coisas que temos, livres da idolatria que nos impede de ver a verdade, livres das necessidades emocionais e egocêntricas, livres dos mecanismo que produzem a morte no homem, agora os filhos de Deus podem viver segundo o governo de Deus, agora temos mais chances de viver de construir um reino pacífico e justo, que produz a justiça de Deus na terra e dá resposta às aflições do mundo.

O Fim!

A salvação vem pela fé.

Depois de entender o que o pecado causou no mundo, e o que Jesus veio cumprir na terra, nos basta saber como podemos ser salvos, pela fé. A fé, não é apenas um conhecimento, nem mesmo um conhecimento aliado a um sentimento místico ou ao “pensamento positivo” de que seremos salvos porque “sabemos” que Jesus morreu em nosso lugar para que assim possamos ir para o céu quando morrermos. A fé é algo tão simples, que é difícil não complicar.

A fé, é tão simples quanto churrasco. O churrasco, como ele é, se trata apenas de madeira queimando, um espeto e uma carne temperada com sal, e o assador. Um bom assador faz dessa simplicidade uma das mais deliciosas comidas que o homem pode experimentar.

Mas tem gente que não se contenta com a simplicidade de uma boa carne assada no fogo, e por isso foram inventadas as mais diversas modalidades de carne assada. Carne assada na brasa com alumínio, ou papel celofane, carne assada em forno, carne moída assada no espeto, carne assada em grelha, carne assada com os mais diversos temperos além do sal, carne assada servida com uma diversidade de molhos apimentados ou adocicados que vão de “A” a “Z”.

Quando Jesus esteve na terra como homem antes de ser glorificado, ele nos expressou a vontade Deus e quando ele falou sobre fé, sobre crer, as pessoas que lhe ouviram puderam entender claramente.

Tal qual “churrasco”, é bem entendido na cultura gaúcha como “carne assada em espeto no fogo, temperado com sal grosso”, mas ao longo do tempo, da propagação das filosofias e das distorções da linguagem e dos significados nas traduções, cada geração querendo ou não, foi adicionando significados a fé que não condizem com a sua aplicação mais prática.

Assim como “barbecue” que é o churrasco norte americano, onde a carne não é mais o alimento, mas a desculpa para poderem comer diversos molhos de churrasco.

Então, tentando ser o mais simples possível: A fé, é um conhecimento posto em prática. Ser salvo pela fé, é se tornar conhecedor da mensagem do evangelho, e agir de acordo com o que a mensagem do evangelho propõe.

Arrepender-se, abandonar o pecado, ser batizado, nascer de novo, e render a direção da sua vida, dos seus planos, do seu trabalho, do seu casamento, dos seus sonhos, a Jesus.

Fazendo isso, somos salvos, do inferno, da natureza aprisionada ao pecado, dos sistemas que geram a morte e do sistema do mundo. Não é possível ser “salvo pela fé”, se essa fé, não gerar em você a coragem de agir em conformidade com a mensagem do evangelho.

Apenas conhecer a mensagem, e não se submeter a mensagem, não o faz salvo, mas o torna duplamente perdido. Porque antes de conhecê-la era perdido por não a saber, e agora é perdido por a conhecê-la e não a praticar.

O chamado.

Todos que nasceram de novo da água e do Espírito, foram chamados por Deus a darem os frutos da natureza de Cristo em suas vidas, e isso implica na pregação do evangelho, orar pelos enfermos, alimentar os famintos, adotar os órfãos, cuidar das viúvas e dos incapazes e dos abandonados, recuperar os dependentes químicos, vestir o nu, dar abrigo ao desabrigado e dar resposta aos anseios do mundo como filhos de Deus.

Além da grande comissão, cada um de nós temos um chamado específico com Deus a ser cumprido.

Jesus o Rei, em seu governo instituiu cinco ministérios (#Efésios 4:11), que são cinco funções em seu governo, além de oito operações, e outorgou nove dons do Espírito aos que nasceram de novo (#1ªCoríntios 12:8-10).

Descobrir onde você se encaixa nisso e dar resposta a isso, é a obrigação de cada filho de Deus. Além da salvação da morte eterna, cada um dos salvos prestará contas a Deus do que fez com a sua vida, e o que Deus queria que cada um tivesse feito, e as nossas obras serão pesadas diante Dele, e recompensadas. (#1ªCoríntios 3:11-15)

Relacionamento.

O maior propósito da obra redentora de Jesus, se consuma no relacionamento com Deus.

Não existe porque querer ser salvo, sem querer também o relacionamento com Deus, já que o céu, é a casa de Deus, já que recebemos de Jesus a natureza de Deus.

Tudo em todos os níveis, é Dele, por Ele, e para Ele.

É de relacionamento que salvação e novo nascimento se tratam. Um relacionamento profundo e íntimo com o Deus que te criou e te salvou.

Todos que ouvem a mensagem do evangelho, agora devem decidir, se vão abandonar o controle de suas próprias vidas, e entregar esse controle a Deus, de modo consciente e prático, ou se preferem continuar na ilusão de que governam suas vidas praticando aquilo que lhe dá prazer.

É uma decisão pessoal, digno do jargão: “Cada caso é um caso.” Para alguns, isso pode significar abandonar apenas planos, sonhos, desejos além dos pecados, para outros, pode significar largar o seu meio de vida que lhe rende dinheiro, abandonar sua família, seu circulo social, sua casa, sua cidade, sua nação.

A partir do momento em que o homem decide abandonar tudo e entrar de baixo do jugo de Cristo, ele deve ser batizado nas águas, que representa um ato público em que ele assume pela fé a mudança de vida, e receber o batismo no Espírito Santo, onde seu espírito nasce de novo, e ele é capacitado a viver a vontade de Deus.

E a partir deste momento, se inicia um relacionamento intimo com Deus, pois Ele fez morada dentro do homem, e a vida deste indivíduo, deve passar a ser governada pelo Espírito de Deus, e não mais pelas suas emoções, razões, ou sentidos.

É aqui que se inicia a jornada pessoal de cada um, em aprender a discernir a voz do Espírito e ser corajoso de obedecer às suas palavras.

A estes, estão disponíveis, segundo o propósito de Deus, todas as bençãos e recursos para o cumprimento do propósito de Deus na terra, para a manifestação do Governo de Deus no reino humano.

O Governo de Deus.

O “Reino de Deus” na terra, não se trata de um domínio material ou de um estado político, nem de status em redes sociais.

Se trata da manifestação do “Governo de Deus na terra”. Se trata, dos filhos de Deus, sendo governados por Deus, para fazerem a vontade Deus, na terra.

De criaturas humanas que receberam a nova natureza espiritual, se tornando filhos de Deus, sendo agora governadas, comandadas, pelo Espírito de Deus, para fazerem a obra de Deus na terra.

E ela vai muito além da pregação do evangelho em púlpitos e construção de templos pela terra.

Esse é o propósito dos imitadores de Cristo, que formam o “corpo de Cristo”, na terra.

Agora com a natureza de Cristo em nós, livres do pecado e da morte e de satanás, somos capazes de viver governados pela voz do Espírito Santo, e pela vontade de Deus na terra, e de dar os frutos da natureza divina na terra, e dar resposta aos anseios do mundo pela manifestação de Deus na terra.

Em Cristo, podemos curar os enfermos, expulsar demônios, ressuscitar os mortos, limpar leprosos, e segundo a natureza de Cristo podemos alimentar o faminto, cuidar do órfão e da viúva. Na natureza de Cristo, podemos fazer o que na natureza de Adão eramos incapazes: Viver na vontade Deus.

Temos a possibilidade, na nova natureza, de vivermos uma sociedade de paz e harmonia, dando solução aos problemas do mundo, até que venha o Rei Jesus, dos céus, estabelecer seu trono na terra, e fazer reinar a verdadeira justiça divina. Aqueles que se submeteram a viver inteiramente de baixo da autoridade de Jesus, de baixo do comando da voz do Espírito Santo, não dependem mais do sistema do mundo, nem do reino humano.

Agora, estes, não devem mais viver segundo os medos que governam esse mundo, mas devem viver corajosamente confiantes na palavra que sai da boca de Deus para suas vidas, pois é a palavra de Deus que suprirá a vida deles.

Texto: O Evangelho.

Autor: André Giovani Figur.

Publicado em PDF: 11/10/2017

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